coreografia para prédios, pedestres e pombos

23 jan

por Rodrigo Lopes

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Foi com orgulho e alegria que o Brecha Coletivo aceitou o convite da coreógrafa Dani Lima e da cineasta Paola Barreto, que neste projeto e em suas pesquisas pessoais, compartilham conosco o interesse pelas potencialidades da rua. “Coreografia para prédios, pedestres e pombos” é uma colaboração entre as duas, com mais uma equipe de artistas e técnicos que teve como objetivo desenvolver uma série de intervenções coreográficas camufladas, realizadas na maioria das vezes por 11 bailarinos nas imediações do Largo do Machado. Contando com a participação do Brecha, o grupo de performadores interagindo com as imediações do Largo chegou a cerca de 40 pessoas, alterando definitivamente a paisagem local.
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A performance é uma “composição em tempo real”, na qual os bailarinos seguem uma série de diagramas de movimentação, previamente ensaiados, mas compõem somente no instante da apresentação uma partitura coletiva, em interação com os pedestres, a arquitetura e as situações imprevisíveis do momento. Os movimentos resgatam ações ordinárias, como o gestual urbano cotidiano e os fluxos de tempo dos pedestres, de forma que os bailarinos misturam-se aos “ocupantes” da praça, confundindo a distinção entre quem está ‘atuando’ e quem está ‘vivendo’. As investig[ações], iniciadas em setembro de 2010, eram gravadas, diariamente, constituindo um imenso banco de imagens do cotidiano do bairro. Confira abaixo o tiltshift de Alexandre Antunes, um dos desdobramentos e registros desta co-labor-ação com o Brecha Coletivo.
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Para a temporada realizada em novembro de 2010, imagens transmitidas em tempo real eram adicionadas as já gravadas, e o material editado e sonorizado em uma performance de “cinema ao vivo”, envolvendo o trabalho de VJ’s e DJ’s. O projeto, que se completa com uma pesquisa histórica e de campo, pretende lançar um olhar atento ao Largo do Machado: sua arquitetura, seu  paisagismo, seus frequentadores, suas memórias passadas e presentes.

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O público pôde escolher de que forma assistiria ao espetáculo: seja na praça, ao nível do chão, em meio aos performers; seja no café do Oi Futuro, onde acontecia a mixagem ao vivo das imagens e sons; seja pelo streaming via internet. Ocupar o Largo com a Coreografia é uma forma de afirmar a rua como espaço de experimentação, valorizando a experiência cotidiana e a construção do comum e da comunidade como potência poética.
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Criar uma rede de imagens e sons que possa ser acessada por todos através de uma plataforma na internet é um dos grandes desafios do projeto. Acompanhe as novidades desta empreitada nos blogs do projeto: http://coreogthere.blogspot.comhttp://estreitandoolargo.blogspot.com/

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“OS INOCENTES”

27 out

“Teatro com ritmo de cinema!”

_Macksen Luiz – Jornal do Brasil

 

“Articulação de sensibilidades a ser celebrada!”

_Ava Chatoele – Le Petit Courrier

 

“Daquelas peças que se leva para casa; artigo de coleção!”

_Luciana Garcia – Caderno Teatral

 

“Composição escultórica!”

_ Dinah Cesare – Questão de Crítica

 


OS INOCENTES


Com texto dos autores Rodrigo Nogueira (indicado aos últimos prêmios Shell e APTR por “Play”) e Julia Spadaccini, com supervisão artística de Fernando Eiras (prêmios Shell e APTR de melhor ator por “In on It”) e direção de César Augusto (fundador da Cia dos Atores) e Fernanda Félix, o Brecha Coletivo apresenta “Os Inocentes”.

Resultado de intercâmbio iniciado em 2008 na sede da Cia dos Atores, o espetáculo tem como ponto de partida o livro “The Holly Innocents”, de Gilbert Adair, que em 2003 transformou-se em roteiro cinematográfico sob direção de Bernardo Bertolucci em “Os Sonhadores” – longa indicado ao Goya de melhor filme europeu e uma das maiores bilheterias daquele ano.

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> A SINOPSE


O espetáculo se dá em tempo e local suspensos, mas não se espante se ao vê-lo, Paris e o ano de 1968 vierem à sua cabeça. Entre “Os Inocentes”, o livro de Gilbert Adair e o filme de Bertolucci, há muita coisa em comum: as três obras evocam os tumultuados cenários políticos do maio francês como pano de fundo para a história de três jovens que têm em comum a paixão por cinema. Em uma verdadeira homenagem à sétima arte (incluindo referências que deliciam os cinéfilos de plantão) o triângulo vivido no espetáculo por Lisa Fávero, Michel Blois e Patrick Sampaio cria suas próprias regras, vive experiências com suas emoções e sexualidade, e se arrisca em jogos psicológicos cada vez mais perigosos e cinematográficos.

 

> A ESTRÉIA


“Os Inocentes” estreou no dia 02 de julho de 2010 no Espaço SESC, em Copacabana, Rio de Janeiro, onde cumpriu temporada de sexta a domingo em horário nobre por um mês. Neste curto período obteve lotação de 100% das apresentações, realizou 2 sessões extras, foi assistido por quase 1.000 espectadores e tem sido considerado pela crítica um dos destaques teatrais do ano.

Após a celebrada estréia, à convite da ocupação CAMBIO, o espetáculo repete a boa performance e lota mais de 80% das apresentações de sua 2ª temporada, com duração de um mês no novo Teatro Gláucio Gill, em Copacabana.

A repercussão rende ainda convite de Marco Nanini para a apresentação de 3 sessões do espetáculo em seu espaço, o GALPÃO GAMBOA, sugerindo uma espécie de encerramento comemorativo do primeiro ciclo de apresentações da peça na cidade. Aumentando o número de presentes à cada sessão, a peça chega ao seu terceiro e último dia – um inesquecível domingo chuvoso – lotando o galpão da zona portuária.

 

> REPERCUSSÃO


Com um investimento inicial de R$ 75.000 (setenta e cinco mil reais) – recursos do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz e do SESC Rio – o projeto acumula até o momento um retorno avaliado em mais de R$ 417.000 (quatrocentos e dezessete mil reais) em mídia espontânea, tendo sido pauta recorrente dos principais veículos de comunicação do país.

 

> MAIS SOBRE A MONTAGEM


Em “Os Inocentes” o Brecha Coletivo reúne criadores que o atravessam e se misturam ao seu corpo de integrantes. Fernando Eiras é a inspiração que instiga os primeiros passos. César Augusto e a Cia dos Atores são a referência estética, e fortalecem no grupo a cultura de treinamento injetada anos antes por Daniela Visco. Fernanda Félix, Michel Blois e o coletivo Pequena Orquestra são a afinidade na vivência mútua dos “viewpoints” e das diversas residências artísticas e pesquisas compartilhadas. Rodrigo Nogueira e Julia Spadaccini são a fusão entre nossos corpos e os caracteres digitados. Domingos Alcantara é o minimalismo que baliza nossa prática agora, e Tomás Ribas, as incríveis traquitanas luminosas – colaboradores de longa data dos presentes neste projeto.

O manancial afetivo dos contextos revolucionários – matéria-prima para esta montagem – atravessa em muitos aspectos a vivência artística de um coletivo. Toda ação colaborativa, enquanto agenciamento de múltiplas individualidades, é um modo de resistência, já que a definição de coletivo que nos interessa afirmar não quer conter a diferença. O coletivo proposto aqui é a união de muitos que não pretendem que se forme o uno, o identitário. É a articulação plural, e não o homogêneo pasteurizado, a representatividade totalizante e redutora das singularidades. Atuar coletivamente revela-se então como posicionamento político, como exercício de uma sociabilidade que se deseja complexa e que conserva na polifonia sua potência.

Em todo caso, a palavra “resistir” teria ainda alguma força ou o mesmo sentido que costumávamos atribuir a ela? Se há algumas décadas a resistência obedecia a uma lógica de oposição direta, o resistir contemporâneo pede por re-invenção. Há mesmo a necessidade de tomada de consciência coletiva? A rebelião precisa mesmo ser convergente ou uniforme para questionar os espaços do comum e se difundir? Nós acreditamos que não.

Talvez, e apenas talvez, interesse menos combater “algo”, do que afirmar um “outro algo”.

BRECHA COLETIVO


[Projeto Flashmobing] O mob 02 – “VENDO” – já está no ar!

1 jun

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O 2º mob do Projeto Flashmobing, “VENDO“, aconteceu em maio de 2010 num shopping da zona sul do Rio de Janeiro, um dos tótens do consumo na cidade, envolvendo cerca de 100 pessoas.

A ação consistiu na circulação de dezenas de pessoas vendadas pelo centro comercial, as quais agiam naturalmente e relacionavam-se cinicamente com o contexto em que interferiam.

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Confira o video abaixo.

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Entre os conceitos presentes na ação estão o questionamento de até onde conseguimos perceber a realidade,  a sociedade de consumo, além das “zonas autônomas temporárias” – as famosas “TAZ“.

(Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público, que realizam determinada ação inusitada previamente combinada, e em seguida se dispersam tão rapidamente quanto se reuniram)

wanna mob?


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Ficha Técnica [mob 02]

Concepção: Lisa Fávero.

Direção Geral e de Produção: Patrick Sampaio.

Direção Audiovisual e edição: Mariana Kaufman.

Assistentes de produção: Kamilla Dornelas e Rodrigo Lopes.

Câmeras: Bruno Mello, Carol Valansi, Clara Cavour, Chris Habib, Debora Herszenhut, Felipe Nahon, Frank Alarcon, Jo Serfaty, Mariana Kaufman, Raoni Seixas, Rita Albano, Tayanna Dantas

Colaboração na edição: Clara Cavour e Jo Serfaty

Trilha Sonora: Átila Calache.

Colaboradores: Átila Calache, Cynthia Reis, Eduardo Cravo, Gabriela Serfaty, Janaína Moura, Jarbas Albuquerque, Kamilla Dornelas, Lívia de Bueno, Luciana Méier, Mariana Kaufman, Mariana Nunes, Miguel Thire, Raquel Alvarenga e Suzana Nascimento.

Mobilizadores: Ana Carolina Kruschewsky, Ana Cláudia Castro, Cacau Berredo, Clara Cavour, Clarice Solberg, Danielle Antunes, Erika Jacobson, Fabio Batistela, Helen Pomposelli, Livia Franco, Marcio Antunes, Paula Cozendey, Tatiane Santoro, Teresa Estrada, Vanessa Reis, Leandro Souza, Ana Carolina Alves, Stela Guz, Ray Cenna, Brisa Caleri, Vivian Oliveira, Luciana Lopes, Isabel Villela, Raphi Soifer, Guilherme Bernardy, João Rodrigo Ostrower, Viviana Rocha, Michele Capri, Tatiana Moreira, Itala Araujo, Natasha Melman, Flora Genial, Felipe Pilotto, Joao Velho, Bruno Farias,  Bia Ittah, Maria Roberta Perez, Alexandre Braga, Fábio Rolywer, Danielle Cherman, Cláudio Serra, Cinara Leal, Julia Rocha, Thais Simonassi, Ana Flávia, João Vancine, Victor Albuquerque, Daniel Vieira, Alexandre Leder, Tayana Dantas, Gian Pomposelli, Amina Muniz, Julia Paranaguá, Raquel Gaio, Maria Eduarda Pellegrino Machado, Clara Arantes, Rafael Gusmão, Marcela Moura, Luz de Lucena, Thabata Castro, Will Pantaleão, Ilana Fryd, Carolina Rapp, Marcel Feldman, Samitri Bara, Vivi Mariano, Paulo Soares, Thais Blank, Eloah Oliveira, Daniel Kallon, Nathalia Marçal, Andre Markwald, Monalisa Gomes, Johnny Luz, Leonardo Ferreira, Grace Cavalcante, Michele Cupertino, Julia Frederico Nodari, Daniel Bouzas, Livia de Bueno, Eduardo Cravo, Miguel Thiré, Janaina Moura, Tatiana Muniz, Raquel Alvarenga, Suzana Nascimento, Jarbas Albuquerque, Gabriela Serfaty, Luciana Meier.

Apoio: A Cena da Cidade.

Realização: Brecha Coletivo.

O “Brecha” é um coletivo transdisciplinar de pesquisa e ações em arte.

* a músicas usadas neste video são de Tomaso Albinoni “Oboé concerto em C maior e em D menor”

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Brecha Coletivo + OESTUDIO @TEMPO_FESTIVAL

1 jun

Registro de teaser-intervention da ação “#”, realizada no desfile d’OESTUDIO

Fashion Rio 2010.

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instalação-interferência-corpo-sonora-ou-algo-sem-nome
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À convite do TEMPO FESTIVAL, o BRECHA COLETIVO e OESTUDIO problematizam a cultura contemporânea em #.
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# é sobre o agora. É sobre esse bloco de caracteres estar sendo recebido por você neste tempo e local exatos, e sobre isso ser um início e um meio. É sobre a sua janela, e sobre você continuar ou não juntando esses pedaços-potência. É sobre você-parte, inevitável, de organismos que a todo tempo surgem e findam, e sobre o fluxo que nos atravessa e liga. É sobre a não-identidade e a abertura de campos de afetação. É sobre zonas autônomas, mesmo que temporárias, e sobre a liquidez.

# é sobre a indissociabilidade, e sobre nós. Um encontro.

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Reunião de Instruções:
Sexta-Feira, 4 de junho, às 20h
em local não divulgado (na zona sul do Rio de Janeiro).
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Ação:
Sábado, 5 de junho, às 17h
numa praça (da zona sul do Rio de Janeiro).
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Para saber mais, confirme presença pelo email contato@brecha.com.br
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mob 2: accomplished! assista ao teaser 1 de “VENDO”.

5 mai


Com quase 100 participantes, o projeto Flashmobing - Interferências Urbanas transfigurou com sucesso um dos mais representativos tótens comerciais da cidade! Agradecemos a cada um dos que estiveram presentes nesta que foi, com toda a certeza, uma das ações mais instigantes já realizadas pelo Brecha Coletivo.

No link a seguir você confere o primeiro teaser deste Mob, batizado de “VENDO“, segunda ação do projeto de Interferências Urbanas com o qual, desde 2009, o Brecha Coletivo busca problematizar, investigar e ativar possibilidades de ocupação efêmera, poética e política dos espaços compartilhados na urbe: http://www.youtube.com/watch?v=ozkNdCsPIAY

Visite a página do Brecha Coletivo no Facebook [http://www.facebook.com/pages/Brecha-Coletivo/121527141194656] e clique em curtir para tornar-se um seguidor. E siga-nos também pelo [twitter.com/brechacoletivo]. Com estes canais pretendemos ampliar o diálogo e o fluxo de informação entre os integrantes desta rede.

Se você vivenciou ou registrou em video algum episódio da ação de ontem e deseja nos contar, entre em contato conosco. Estamos reunindo informações, relatos, depoimentos, imagens, e todo o material gerado pela mobilização. Cada fragmento pode se tornar matéria-prima e parte da articulação que faremos.

O video completo tem previsão de lançamento em  31 de maio, num Youtube perto de você. Aguarde, e prepare-se para a difusão! Enquanto isso, confira abaixo alguns registros feitos pela incrível Ana Cláudia Castro.

os inocentes > estréia confirmada.

31 mar

por André Mantelli.

Confirmado!

“Os Inocentes”, mais novo projeto teatral do Brecha Coletivo, acaba de confirmar estréia para 2 de julho, no Espaço Sesc, em Copacabana. Com supervisão de Fernando Eiras, direção de César Augusto e Fernanda Félix, texto de Rodrigo Nogueira e Julia Spadaccini, e com Lisa Fávero, Michel Blois e Patrick Sampaio no elenco, o projeto – contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz - tem como ponto de partida o livro que inspirou, em 2003, Bernardo Bertolucci a filmar “Os Sonhadores”, filme indicado ao Goya de melhor filme europeu.

The Dreamers”, que tem o mesmo título do filme de Bertolucci, é de autoria de Gilbert Adair e teve sua publicação realizada em 2003, ano de lançamento do filme – cujo roteiro Gilbert também assina. Esta publicação no entanto pode ser considerada um relançamento do original: “The Holy Innocents”, publicado por Adair em setembro de 1988, no Reino Unido, pela William Heinemann Ltd. Nele, assim como no filme, o tumultuado cenário político que reinava em Paris no ano de 1968 serve como pano de fundo para a história de três jovens que tem em comum a paixão por cinema. Este triângulo é a base onde se desenvolve uma intrincada teia de relações, uma espécie de lente de aumento sobre um dos possíveis bastidores da insurreição francesa, e que sintetiza de forma precisa boa parte do zeitgeist da época. O livro é então reeditado com novo nome, integrando-o ao projeto cinematográfico.

Nenhuma das versões, no entanto, tiveram tradução para o português ou foram lançadas no Brasil. A produção de “Os Inocentes” parece então acender mais uma vez a possibilidade de termos ao alcance das mãos, e dos olhos a fonte literária de uma obra que – atravessada por temas como sexualidade, insurgências políticas, e pela própria sétima arte - parece ter encontrado na geração 80-90 seu público maior, tornando-se uma das maiores bilheterias de 2003 em todo o mundo. Com tradução de Luiza Vilella (supervisionada por ninguém menos que Paulo Henriques Britto), a versão gerada para o processo do espetáculo pode finalmente abrir para o grande público este acesso ao original do autor escocês, que ao que tudo indica, virá ao Brasil para o lançamento do espetáculo.

O espetáculo conta ainda com audiovisual de Mariana Kaufman, direção de arte de Domingos Alcântara, desenhos de luz de Tomás Ribas, e promoção da Globo e da Clear Channel.

Fique ligado! Mais notícias à qualquer momento, aqui, no Brecha Blog.

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O Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz tem o patrocínio da Petrobrás e da Lei de Incentivo a Cultura do Governo Federal.

cartografia sentimental.

25 mar

Suely Rolnik

“Encontrar é achar, é capturar, é roubar, mas não há método para achar, só uma longa preparação. Roubar é o contrário de plagiar, copiar, imitar ou fazer como. A captura é sempre uma dupla-captura, o roubo, um duplo-roubo, e é isto o que faz não algo de mútuo, mas um bloco assimétrico, uma evolução a-paralela, núpcias sempre ‘fora’ e ‘entre’.”
> Gilles Deleuze e Claire Parnet, Dialogues.

Cartografia: uma definição provisória

Para os geógrafos, a cartografia-diferentemente do mapa, representação de um todo estático-é um desenho que acompanha e se faz ao mesmo tempo que os movimentos de transformação da paisagem.

Paisagens psicossociais também são cartografáveis. A cartografia, nesse caso, acompanha e se faz ao mesmo tempo que o desmanchamento de certos mundos-sua perda de sentido-e a formação de outros: mundos que se criam para expressar afetos contemporâneos, em relação aos quais os universos vigentes tornaram-se obsoletos.

Sendo tarefa do cartógrafo dar língua para afetos que pedem passagem, dele se espera basicamente que esteja mergulhado nas intensidades de seu tempo e que, atento às linguagens que encontra, devore as que lhe parecerem elementos possíveis para a composição das cartografias que se fazem necessárias. O cartógrafo é antes de tudo um antropófago.

O cartógrafo

A prática de um cartógrafo diz respeito, fundamentalmente, às estratégias das formações do desejo no campo social. E pouco importa que setores da vida social ele toma como objeto. O que importa é que ele esteja atento às estratégias do desejo em qualquer fenômeno da existência humana que se propõe perscrutar: desde os movimentos sociais, formalizados ou não, as mutações da sensibilidade coletiva, a violência, a delinqüência. . . até os fantasmas inconscientes e os quadros clínicos de indivíduos, grupos e massas, institucionalizados ou não.

Do mesmo modo, pouco importam as referências teóricas do cartógrafo. O que importa é que, para ele, teoria é sempre cartografia-e, sendo assim, ela se faz juntamente com as paisagens cuja formação ele acompanha (inclusive a teoria aqui apresentada, naturalmente). Para isso, o cartógrafo absorve matérias de qualquer procedência. Não tem o menor racismo de freqüência, linguagem ou estilo. Tudo o que der língua para os movimentos do desejo, tudo o que servir para cunhar matéria de expressão e criar sentido, para ele é bem-vindo. Todas as entradas são boas, desde que as saídas sejam múltiplas. Por isso o cartógrafo serve-se de fontes as mais variadas, incluindo fontes não só escritas e nem só teóricas. Seus operadores conceituais podem surgir tanto de um filme quanto de uma conversa ou de um tratado de filosofia. O cartógrafo é um verdadeiro antropófago: vive de expropriar, se apropriar, devorar e desovar, transvalorado. Está sempre buscando elementos/alimentos para compor suas cartografias. Este é o critério de suas escolhas: descobrir que matérias de expressão, misturadas a quais outras, que composições de linguagem favorecem a passagem das intensidades que percorrem seu corpo no encontro com os corpos que pretende entender. Aliás, “entender”, para o cartógrafo, não tem nada a ver com explicar e muito menos com revelar. Para ele não há nada em cima-céus da transcendência-, nem embaixo-brumas da essência. O que há em cima, embaixo e por todos os lados são intensidades buscando expressão. E o que ele quer é mergulhar na geografia dos afetos e, ao mesmo tempo, inventar pontes para fazer sua travessia: pontes de linguagem.

Vê-se que a linguagem, para o cartógrafo, não é um veículo de mensagens-e-salvação. Ela é, em si mesma, criação de mundos. Tapete voador. . . Veículo que promove a transição para novos mundos; novas formas de história. Podemos até dizer que na prática do cartógrafo integram-se história e geografia.

Isso nos permite fazer mais duas observações: o problema, para o cartógrafo, não é o do falso-ou-verdadeiro, nem o do teórico-ou-empírico, mas sim o do vitalizante-ou-destrutivo, ativo-ou-reativo. O que ele quer é participar, embarcar na constituição de territórios existenciais, constituição de realidade. Implicitamente, é óbvio que, pelo menos em seus momentos mais felizes, ele não teme o movimento. Deixa seu corpo vibrar todas as freqüências possíveis e fica inventando posições a partir das quais essas vibrações encontrem sons, canais de passagem, carona para a existencialização. Ele aceita a vida e se entrega. De corpo-e-língua.

Restaria saber quais são os procedimentos do cartógrafo. Ora, estes tampouco importam, pois ele sabe que deve “inventá-los” em função daquilo que pede o contexto em que se encontra. Por isso ele não segue nenhuma espécie de protocolo normalizado.

O que define, portanto, o perfil do cartógrafo é exclusivamente um tipo de sensibilidade, que ele se propõe fazer prevalecer, na medida do possível, em seu trabalho. O que ele quer é se colocar, sempre que possível, na adjacência das mutações das cartografias, posição que lhe permite acolher o caráter finito ilimitado do processo de produção de realidade que é o desejo. Para que isso seja possível, ele se utiliza de um “composto híbrido”, feito do seu olho, é claro, mas também, e simultaneamente, de seu corpo vibrátil, pois o que quer é apreender o movimento que surge da tensão fecunda entre fluxo e representação: fluxo de intensidades escapando do plano de organização de territórios, desorientando suas cartografias, desestabilizando suas representações e, por sua vez, representações estacando o fluxo, canalizando as intensidades, dando-lhes sentido. É que o cartógrafo sabe que não tem jeito: esse desafio permanente é o próprio motor de criação de sentido. Desafio necessário-e, de qualquer modo, insuperável-da coexistência vigilante entre macro e micropolítica, complementares e indissociáveis na produção de realidade psicossocial. Ele sabe que inúmeras são as estratégias dessa coexistência-pacífica apenas em momentos breves e fugazes de criação de sentido; assim como inúmeros são os mundos que cada uma engendra. É basicamente isso o que lhes interessa.

Já que não é possível definir seu método (nem no sentido de referência teórica, nem no de procedimento técnico) mas, apenas, sua sensibilidade, podemos nos indagar: que espécie de equipamento leva o cartógrafo, quando sai a campo?

Manual do cartógrafo

É muito simples o que o cartógrafo leva no bolso: um critério, um princípio, uma regra e um breve roteiro de preocupações-este, cada cartógrafo vai definindo e redefinindo para si, constantemente. O critério de avaliação do cartógrafo você já conhece: é o do grau de intimidade que cada um se permite, a cada momento, com o caráter de finito ilimitado que o desejo imprime na condição humana desejante e seus medos. É o do valor que se dá para cada um dos movimentos do desejo. Em outras palavras, o critério do cartógrafo é, fundamentalmente, o grau de abertura para a vida que cada um se permite a cada momento. Seu critério tem como pressuposto seu princípio.

O princípio do cartógrafo é extramoral: a expansão da vida é seu parâmetro básico e exclusivo, e nunca uma cartografia qualquer, tomada como mapa. O que lhe interessa nas situações com as quais lida é o quanto a vida está encontrando canais de efetuação. Pode-se até dizer que seu princípio é um antiprincípio: um princípio que o obriga a estar sempre mudando de princípios. É que tanto seu critério quanto seu princípio são vitais e não morais.

E sua regra? Ele só tem uma: é uma espécie de “regra de ouro”. Ela dá elasticidade a seu critério e a seu princípio: o cartógrafo sabe que é sempre em nome da vida, e de sua defesa, que se inventam estratégias, por mais estapafúrdias. Ele nunca esquece que há um limite do quanto se suporta, a cada momento, a intimidade com o finito ilimitado, base de seu critério: um limite de tolerância para a desorientação e a reorientação dos afetos, um “limiar de desterritorialização”. Ele sempre avalia o quanto as defesas que estão sendo usadas servem ou não para proteger a vida. Poderíamos chamar esse seu instrumento de avaliação de “limiar de desencantamento possível”, na medida em que, afinal, trata-se, aqui, de avaliar o quanto se suporta, em cada situação, o desencantamento das máscaras que estão nos constituindo, sua perda de sentido, nossa desilusão. O quanto se suporta o desencantamento, de modo a liberar os afetos recém-surgidos para investir em outras matérias de expressão e, com isso, permitir que se criem novas máscaras, novos sentidos. Ou, ao contrário, o quanto, por não se suportar esse processo, ele está sendo impedido. É claro que esse tipo de avaliação nada tem a ver com cálculos matemáticos, padrões ou medidas, mas com aquilo que o corpo vibrátil capta no ar: uma espécie de feeling que varia inteiramente em função da singularidade de cada situação, inclusive do limite de tolerância do próprio corpo vibrátil que está avaliando, em relação à situação que está sendo avaliada. A regra do cartógrafo então é muito simples: é só nunca esquecer de considerar esse “limiar”. Regra de prudência. Regra de delicadeza para com a vida. Regra que agiliza mas não atenua seu princípio: essa sua regra permite discriminar os graus de perigo e de potência, funcionando como alerta nos momentos necessários. É que, a partir de um certo limite-que o corpo vibrátil reconhece muito bem-a reatividade das forças deixa de ser reconversível em atividade e começa a agir no sentido da pura destruição de si mesmo e/ou do outro: quando isso acontece, o cartógrafo, em nome da vida, pode e deve ser absolutamente impiedoso.

De posse dessas informações, podemos tentar definir melhor a prática do cartógrafo. Afirmávamos que ela diz respeito, fundamentalmente, às estratégias das formações do desejo no campo social. Agora, podemos dizer que ela é, em si mesma, um espaço de exercício ativo de tais estratégias. Espaço de emergência de intensidades sem nome; espaço de incubação de novas sensibilidades e de novas línguas ao longo do tempo. A análise do desejo, desta perspectiva, diz respeito, em última instância, à escolha de como viver, à escolha dos critérios com os quais o social se inventa, o real social. Em outras palavras, ela diz respeito à escolha de novos mundos, sociedades novas. A prática do cartógrafo é, aqui, imediatamente política.

Extraído de Suely Rolnik, Cartografia sentimental, transformações contemporâneas do desejo, São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1989, p.15-16; 66-72.

“Slow Yourself Down!” no Youtube

2 dez

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O 1º mob do projeto “Flashmobing“, “Slow Yourself Down!” (Desacelere!), aconteceu em novembro de 2009 na Av. Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, envolvendo cerca de 100 pessoas.

A ação consistiu em criar um “tempo suspenso” através da desaceleração do caminhar dos participantes durante a travessia de uma faixa de pedestres, que durou cerca de 60 segundos.

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Confira o video abaixo.

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Entre os conceitos presentes na ação estão a filosofia “slow life” – que prega a desaceleração como proposição política – e as “zonas autônomas temporárias“, as famosas “TAZ“.

“Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público, que realizam determinada ação inusitada previamente combinada, e em seguida se dispersam tão rapidamente quanto se reuniram.”

wanna mob?

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Ficha Técnica [mob 01]


Concepção: Patrick Sampaio.

Direção Geral: Patrick Sampaio e Lisa Fávero.

Direção de Produção: Lisa Fávero.

Audiovisual: Mariana Kaufman.

Câmeras: Andre Mantelli, Bruno Mello, Domingos Guimaraens, Felipe Nahon, Ives Rosenfeld, Jo Serfaty, Mariana Kaufman, Rita Albano, Rodrigo Costa Monteiro.

Trilha Sonora: Átila Calache.

Colaboradores: Átila Calache, Cynthia Reis, Eduardo Cravo, Gabriela Serfaty, Isabel Wilker, Janaína Moura, Jarbas Albuquerque, Kamilla Dornelas, Luli Carvalho, Lívia de Bueno, Mariana Nunes, Miguel Thiré, Monique Vaillé, Raquel Alvarenga e Suzana Nascimento.

Mobers: Afonso Henrique Soares, Adrian Hagemeyer, Adriana Seiffert, Alexandre Mendonça, Alexandre Silva, Alonso Zerbinato, Amanda Wanis, Amina Demicheli Muniz, Ana Hupe, Aretusa Novais, Átila Calache, Bastien Vilart, Bernardo Ferracioli, Brisa Calleri, Bruna Pinna, Bruno Fagoti, Cacá Herrera, Camila Barbosa, Carol Garcia, Carol Valansi, Cecilia Valle, Clara Medeiros, Clarice Sollberg, Cynthia Reis, Daniel Bouzas, Daniel Vieira, Danielle Antunes, Débora Montalvão, Diana Behrens, Eduardo Cravo, Everton Ávila de Lima, Felipe Bond, Gabriel Primo, Gabriela Serfaty, Helena Cooper, Iara Moraes, Ingrid Lopes, Isabel Wilker, Izadora Andrade, Izadora Schettert, Janaína Moura, Jarbas Albuquerque, Jessica Weiss, Joana Lerner, João Rodrigo Ostrower, Jonathan Thayro, Julia Frederico, Julia Lund, Júlia Nodare, Juliana Turano, Kamilla Dornellas, Laís Fernandes, Laline Gonçalves, Leonardo Ferreira, Leonardo Freire, Linn Jardim, Lisa Fávero, Lívia de Bueno, Luana Carvalho, Ludmilla Marinho, Luiz Antonio Fortes, Luiza Debritz, Luiza Prado, Luli Carvalho, Manuel Antonio Pereira, Marcela Moura, Marcelo Lima, Maria Elisa Assy, Maria Mendes, Mariana Castilho, Mariana Nunes, Miguel Thirré, Milton Jonathan, Monique Vaillé, Nikaly Mariano, Otávio Zobaran, Patrick Sampaio, Paula Guimarães, Paulo Camacho, Pedro Coqueiro, Pedro Florim, Priscila Magalhães, Rafaela Arrigone, Rafaella Leme, Raoni Seixas, Raquel Alvarenga, Ray Cenna Rabello, Renata Sampaio, Rod Carvalho, Rosanna Viegas, Suzana Nascimento, Tatiane Santoro, Teresa Duque Estrada, Thiago Pavão, Vanessa Reis.

Apoio: A Cena da Cidade e Mark Tur.

Realização: Brecha Coletivo.

*a música usada neste video chama-se “Jets”, e é do grupo ‘Blur’

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seis movimentos para dizer adeus

2 nov

seis movimentos para dizer adeus.

experimento-filme

 

“memória é uma sala habitada”


As proposições cinematográficas de Paulo Camacho cada vez mais habitam o terreno do que poderíamos chamar de “obra aberta”. Em “Seis Movimentos para dizer Adeus“, Paulo continua esta trajetória propondo um processo que se dá a partir de um roteiro poroso, resignificável, que contém mais itens balizadores do que cenas propriamente ditas.

O filme aponta seu roteiro para as camadas presentes nos conceitos de “despedida” e “memória”, mas mantém abertas brechas de resignificação, convidando outras interpretações e estruturas relacionais internas a se manifestarem através do experimento.

A proposta se inspira, entre outras fontes, nos treinamentos praticados pelo brecha coletivo, em que a decupagem de tempo e espaço torna-se metodologia de interação improvisada entre as ações dos performadores.

A pré-exibição do experimento-filme acontecerá nesta quarta-feira, dia 4, as 21:30, no Odeon BR, dentro do Festival CURTA CINEMA, na sessão de filmes inéditos da CAVÍDEO.
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A duração é de apenas 8 minutos e a entrada é franca.
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reunião pré-mob: 5/11 | mob: 12/11

29 out

brecha-3D

Com ação, local e data de realização já definidos, realizaremos uma reunião pré-mob no dia 5/11, uma quinta-feira, às 13:13, no bairro do Humaitá (Rio de Janeiro), para transmissão das instruções e coordenadas.

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A ação será realizada no dia 12/11, quinta-feira seguinte à reunião pré-mob, e registrada por 3 câmeras.

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Flashmobing é um projeto do brecha coletivo, e você está convidado a integrá-lo. Para receber o endereço da reunião pré-mob, escreva para <lisafavero@gmail.com>, confirmando sua participação.

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Para saber mais sobre flash mobs, clique nos links abaixo e acesse exemplos deste movimento que já ocorre no mundo todo:

Frozen Grand Central

The T-Mobile Dance


wannamob ?!

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novas organizações e cultura.

9 out
NOVAS ORGANIZAÇÕES e CULTURA
Por Flavia Vivacqua
A Força não provem da capacidade física e sim de uma vontade indomável (…),
o Amor é a força mais sutil e humilde do mundo, a força mais poderosa!
Mahatma Gandhi
A liberdade, existe em momentos delicados e se localiza bem próximo da fronteira.
As escolhas, em diferentes escalas, são como uma onda acumulada.
Na indústria, vende-se mais porque é de plástico, ou é de plástico porque vende mais? Os consumidores são indivíduos não-organizados que tomam, em suas escolhas de compra, a escala da multidão. Nós, ainda que sob massificada tentativa de determinação de nossos desejos por parte da indústria e da publicidade; de nossa possível imaturidade diante da necessidade afetiva de pertencimento; ainda assim, temos o privilégio de fazer escolhas e tudo parece necessitar ser sacrificado pela atenção consciente.
Por serem diferentes dos espetáculos teatrais, do cinema e da música, as artes visuais e, dentro deste campo, as artes experimentais e as artes públicas, tornam-se, por suas qualidades relacionais, “ponta de lança” do sistema cultural, das diretrizes e ações públicas de desenvolvimento social. Também sob essa ótica, escolhas que estariam em uma escala do individuo, ou do grupo e seu micro-cotidiano, tornam-se escolhas coletivas, escolhas sociais.
Presenciamos a todo instante o perigo eminente da forma amornada, das propostas inseridas no sistema instituído sem posicionamentos críticos e tensionadores, na busca por estar em relação de manutenção de mão dupla com ele… Como reconhecer o ponto em que simplesmente reproduzimos o que não nos serve mais? Como pode ser uma relação fronteiriça de negociação diferenciada com as instâncias de poder? E como podem os que trabalham em posições de poder estabelecer tomadas de decisão, governança e empoderamento de forma diferenciada? Quais os valores e
princípios fundamentais? Quais as diretrizes e indicadores que nos guiam? Qual o
sentido que estamos construindo?
Nas práticas e negociação pessoal, o que vem atrás, recebe esse mesmo ponto, ou
padrão, que se torna dado de referência ou parâmetro pré-estabelecido. Faz-se
necessário perder a ingenuidade, ou qualquer tipo de mitificação e tabu nas
negociações, sobretudo nos acordos jurídicos e econômicos.
No entrelaçamento das práticas artísticas e culturais da sociedade, na lógica das
redes, pelas novas organizações e economia criativa, encontramos alguns exemplos
de práticas (cultura livre; democratização do conhecimento e livre circulação;
intervenções e ações diretas; happenings e arte relacional; manifestações públicas e
midiáticas; práticas pacifistas e desobediência civil não violenta; entre outros), que
pressionam transformações para outras tomadas de decisões das instâncias de poder,
ao imprimir novos valores e ética no trabalho e suas relações (como nas
manifestações frente as situações jurídicas e econômicas das atuais leis de isenção
fiscal, direito autoral e propriedade intelectual). Dessa forma, todas as escolhas no
âmbito do trabalho – desde a escala individual – serão sempre, para o sistema,
escolhas coletivas.
Vivemos em uma sociedade pautada nos processos de Troca e Partilha, buscando
aprender práticas de Compartilhar e Colaborar – detalhes do COMO – geradoras de
novo processo cultural para essa sociedade.
Já é possível perceber que se apropriar singularmente, ou grupalmente, dos meios de
produção e difusão, importante prática dos artistas e agrupamentos independentes,
dinamizados pelo uso das atuais tecnologias, não basta para o fortalecimento das
novas organizações em rede como possibilidade de reorganização social. Pois, ou são
efêmeras e pontuais, ou são facilmente absorvidas pelo sistema vigente, necessitado
de novidades geracionais para se manter. Desse modo, as dinâmicas coletivas que
imprimem novas éticas e valores; o ambiente compartilhado e estruturado de maneira
a gerar menos disperdício e ampliação das possibilidades de relações, como lentes
que nos amplificam a visão; e, principalmente, a continuidade dos processos, são
eixos fundantes na transição para uma sociedade colaborativa.
Porém, são justamente as novas organizações em rede, capazes de experimentar –
criando e praticando conceitos diferenciados como autogestão – compartilhar e
colaborar em escala macro (ex.: www.indymedia.org – 1999 e www.wikipedia.org – 2001) ou comunitária (ex.: http://gen.ecovillage.org – 1993), ou ainda coletiva (ex.: www.corocoletivo.org – 2003), que estabelecem novos meios produtivos, circuitos e conhecimento livre. O fundamental na construção cultural é que essas organizações são exemplos para novos procedimentos e valores nas tomadas de decisões, governança, empoderamento, comunicação e resoluções de conflitos, sendo propositivos em soluções e sobresaindo-se ao status quo claramente insuficiente e ineficiente hoje, porque destrutivo e com alto nível de desperdício.
Na organização comunitária, se o foco do investimento de energía produtiva (produtor + processo + produção) e das outras partes da econômia, for direcionada em sua maioria para o interior da rede colaborativa, de forma a nutri-la mais, do que o ponto de maior externalidade, a boa tendência é o fortalecimento e a possibilidade da comunidade estar em manutenção continuada e crescente de sua funcionalidade sistémica; o contrario, tende a gerar desperdício sistemico. Para tanto, se torna necessário atuar no cinturão da resistência e para além dele, saindo da zona de conforto e dos padrões estabelecidos sobre códigos e necessidades que já não nos pertencem, para que haja construção efetiva de outro modo de existir.
Nesse momento, o redesenho organizacional, economico e relacional, integrados… talvez seja o caminho politico-cultural mais necessario, de estratégia e tática possível, para uma comunidade em rede fundada na lógica da autogestão, do compartilhamento, da colaboração, da dinamização da economia local, do fortalecimento das novas estruturas organizacionais e de uma nova ecologia do sistema e da cultura.
Política? São as escolhas coletivas de cada um, que estabelecem acordos, fronteiras, modos de viver, de relacionar-se e de construir o conhecimento comum. É o desafio e responsabilidade de todos que escolhem viver em sociedade e, dessa forma, necessita ser encarada como construção cotidiana, inteligente, criativa, saudável e prazerosa, porque justa.

por Flavia Vivacqua

rede rizomática

A Força não provem da capacidade física e sim de uma vontade indomável (…), o Amor é a força mais sutil e humilde do mundo, a força mais poderosa!

Mahatma Gandhi

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A liberdade, existe em momentos delicados e se localiza bem próximo da fronteira. As escolhas, em diferentes escalas, são como uma onda acumulada. Na indústria, vende-se mais porque é de plástico, ou é de plástico porque vende mais?

Os consumidores são indivíduos não-organizados que tomam, em suas escolhas de compra, a escala da multidão. Nós, ainda que sob massificada tentativa de determinação de nossos desejos por parte da indústria e da publicidade; de nossa possível imaturidade diante da necessidade afetiva de pertencimento; ainda assim, temos o privilégio de fazer escolhas e tudo parece necessitar ser sacrificado pela atenção consciente.

Por serem diferentes dos espetáculos teatrais, do cinema e da música, as artes visuais e, dentro deste campo, as artes experimentais e as artes públicas, tornam-se, por suas qualidades relacionais, “ponta de lança” do sistema cultural, das diretrizes e ações públicas de desenvolvimento social. Também sob essa ótica, escolhas que estariam em uma escala do individuo, ou do grupo e seu micro-cotidiano, tornam-se escolhas coletivas, escolhas sociais.

Presenciamos a todo instante o perigo eminente da forma amornada, das propostas inseridas no sistema instituído sem posicionamentos críticos e tensionadores, na busca por estar em relação de manutenção de mão dupla com ele… Como reconhecer o ponto em que simplesmente reproduzimos o que não nos serve mais? Como pode ser uma relação fronteiriça de negociação diferenciada com as instâncias de poder? E como podem os que trabalham em posições de poder estabelecer tomadas de decisão, governança e empoderamento de forma diferenciada? Quais os valores e princípios fundamentais? Quais as diretrizes e indicadores que nos guiam? Qual o sentido que estamos construindo?

Nas práticas e negociação pessoal, o que vem atrás, recebe esse mesmo ponto, ou padrão, que se torna dado de referência ou parâmetro pré-estabelecido. Faz-se necessário perder a ingenuidade, ou qualquer tipo de mitificação e tabu nas negociações, sobretudo nos acordos jurídicos e econômicos.

No entrelaçamento das práticas artísticas e culturais da sociedade, na lógica das redes, pelas novas organizações e economia criativa, encontramos alguns exemplos de práticas (cultura livre; democratização do conhecimento e livre circulação; intervenções e ações diretas; happenings e arte relacional; manifestações públicas e midiáticas; práticas pacifistas e desobediência civil não violenta; entre outros), que pressionam transformações para outras tomadas de decisões das instâncias de poder, ao imprimir novos valores e ética no trabalho e suas relações (como nas manifestações frente as situações jurídicas e econômicas das atuais leis de isenção fiscal, direito autoral e propriedade intelectual). Dessa forma, todas as escolhas no âmbito do trabalho – desde a escala individual – serão sempre, para o sistema, escolhas coletivas.

Vivemos em uma sociedade pautada nos processos de Troca e Partilha, buscando aprender práticas de Compartilhar e Colaborar – detalhes do COMO – geradoras de novo processo cultural para essa sociedade.

Já é possível perceber que se apropriar singularmente, ou grupalmente, dos meios de produção e difusão, importante prática dos artistas e agrupamentos independentes, dinamizados pelo uso das atuais tecnologias, não basta para o fortalecimento das novas organizações em rede como possibilidade de reorganização social. Pois, ou são efêmeras e pontuais, ou são facilmente absorvidas pelo sistema vigente, necessitado de novidades geracionais para se manter. Desse modo, as dinâmicas coletivas que imprimem novas éticas e valores; o ambiente compartilhado e estruturado de maneira a gerar menos disperdício e ampliação das possibilidades de relações, como lentes que nos amplificam a visão; e, principalmente, a continuidade dos processos, são eixos fundantes na transição para uma sociedade colaborativa.

Porém, são justamente as novas organizações em rede, capazes de experimentar – criando e praticando conceitos diferenciados como autogestão –, compartilhar e colaborar em escala macro (ex.: www.indymedia.org – 1999 e www.wikipedia.org – 2001) ou comunitária (ex.: http://gen.ecovillage.org – 1993), ou ainda coletiva (ex.: www.corocoletivo.org – 2003), que estabelecem novos meios produtivos, circuitos e conhecimento livre. O fundamental na construção cultural é que essas organizações são exemplos para novos procedimentos e valores nas tomadas de decisões, governança, empoderamento, comunicação e resoluções de conflitos, sendo propositivos em soluções e sobresaindo-se ao status quo claramente insuficiente e ineficiente hoje, porque destrutivo e com alto nível de desperdício.

Na organização comunitária, se o foco do investimento de energía produtiva (produtor + processo + produção) e das outras partes da economia, for direcionada em sua maioria para o interior da rede colaborativa, de forma a nutri-la mais, do que o ponto de maior externalidade, a boa tendência é o fortalecimento e a possibilidade da comunidade estar em manutenção continuada e crescente de sua funcionalidade sistémica; o contrario, tende a gerar desperdício sistemico. Para tanto, se torna necessário atuar no cinturão da resistência e para além dele, saindo da zona de conforto e dos padrões estabelecidos sobre códigos e necessidades que já não nos pertencem, para que haja construção efetiva de outro modo de existir.

Nesse momento, o redesenho organizacional, economico e relacional, integrados, talvez seja o caminho politico-cultural mais necessário, de estratégia e tática possível, para uma comunidade em rede fundada na lógica da autogestão, do compartilhamento, da colaboração, da dinamização da economia local, do fortalecimento das novas estruturas organizacionais e de uma nova ecologia do sistema e da cultura.

Política? São as escolhas coletivas de cada um, que estabelecem acordos, fronteiras, modos de viver, de relacionar-se e de construir o conhecimento comum. É o desafio e responsabilidade de todos que escolhem viver em sociedade e, dessa forma, necessita ser encarada como construção cotidiana, inteligente, criativa, saudável e prazerosa, porque justa.

Flávia Vivacqua é artista, educadora, designer cultural e de sustentabilidade.

(texto compartilhado pela rede Coro Coletivo - http://br.groups.yahoo.com/group/corocoletivo)

*a imagem contida neste post não acompanha o texto original e é de autoria desconhecida.

textpills

9 out
desintoxicantes; neoperspectivas; rizomáticas; corrosivas; sitêmicas

desintoxicantes; neoperspectivas; rizomáticas; corrosivas; sitêmicas; anárquicas; curativas; topográficas; estéticas; políticas; nômades; utópicas (...)

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A sessão text pills do brecha blog propõe-se a reunir imagens e textos relacionados às pesquisa e ações do coletivo. As tags incluem arte; contracultura; ação coletiva; cooperativismo; biopolítica; performance; tecnologia; audiovisual; espaço público e vigilância; direito autoral e reprodutibilidade; entre outras.

Boa viagem.

“If you want real information, you need to look out of the show. The priceless is always hidden out of the spots, but not so far. Do it yourself.”

O brecha coletivo apóia, estimula, e tenta praticar a respeito do conteúdo nesta plataforma, princípios expressos pelo CopyLeft: se utilizar e permitir utilização (incluindo cópia, distribuição, e exibição pública), sempre que com fins não comerciais, que se cite o autor e que se mantenha e cite este tipo de licença.

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"copyleft - a informação quer ser livre."

"copyleft - a informação quer ser livre."

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ilhas, [inter]ações na cidade.

13 set
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por André Mantelli

Segundo o Wikipédia, o que chamamos de paisagem seria o resultado da interação entre diversos “agentes”, entre eles as características climáticas, a vegetação e a vida animal, incluindo o homem. Talvez possamos dizer que é justamente neste último fator – a interação entre o homem e o espaço – que reside o que diferencia a paisagem da mera geografia, o meio como produção da cultura, o “entre” construído pela célula ou organismo social. Resgatar estas noções básicas de “paisagem” nos possibilita acessar relações potenciais menos contemplativas que as tradicionalmente associadas ao termo, um possível convite ao debate e à intervenção no processo de paisagismo ou paisageamento do espaço urbano, uma porta de entrada para novas noções do que pode vir a ser isso que chamamos de espaço público.

Ilha #1 pb

É pensando nestes potenciais de afetação e construção coletiva que o Brecha propõe a série “Ilhas”, mobs nômades, interações urbanas, zonas autônomas temporárias, avant-gard rendez-vous, ou seja lá como você queira subtitular a coisa.

A ação consiste em deslocar mobilizações festivas tradicionalmente abrigadas no espaço privado para o espaço público, de forma a propor novos usos, dinâmicas e presenças visuais para o sítio comunitário. Os deslocamentos co-laboram também com o combate à chamada cultura do medo, e evidencia o valor dos espaços públicos de convivência, que tendem a perder espaço para a brutal especulação imobiliária que vem transformando a rua, suas tensões e possibilidades em mero local de passagem.

Ilha #1 'dears'

A primeira “Ilha”, realizada no Parque Guinle em julho de 2009, no Rio de Janeiro, reuniu passantes e convidados em torno do casamento de Lisa Fávero e Patrick Sampaio, contextualizado num piquenique em que os trajes deveriam ser leves e conter uma peça de gala.

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A próxima “Ilha” acontecerá até o início de 2010, com direito aos festejados jogos de peteca e frisby, e você está convidado! Acompanhe aqui as novidades e compareça com quem desejar.

fotos:  André Mantelli

treinamento

14 ago
por Camila Carneiro
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No Treinamento brecha coletivo reúne artistas colaboradores para prática regular baseada na técnica cênica  “viewpoints”, de Anne Bogart (SITIcompany, NY). Nestes encontros, além do aprofundamento sobre os elementos cartografados pela diretora norte-americana, o grupo problematiza a possibilidade de criação de outros “viewpoints”, o que originou a pesquisa continuada “Outros Pontos de Vista”, a qual o coletivo se dedica desde outubro de 2008.  A investigação inclui ainda o mapeamento de possíveis vias de acesso a poéticas de caráter cênico e o fomento de debates sobre o panorama artístico contemporâneo. As temáticas presentes hoje perpassam contraculturalismo, performance, artivismo, biopolitica,  neoismos, arte/espaço publico, e transdisciplinaridade.
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por camila carneiropor Camila Carneiro
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O “viewpoints” é uma técnica de improvisação em dança criada nos anos 70 pela coreógrafa Mary Overlie, e posteriormente desenvolvida no teatro por Anne Bogart.  É voltado à pesquisa do movimento e do gestual a partir do Tempo (velocidade, duração, repetição e respostas cinéticas – reação espontânea a estímulos externos), do Espaço (forma, arquitetura, topografia, relação espacial e comportamento gestual) e do Som (volume, tom, timbre, aceleração e silêncio), trabalhando de forma objetiva conceitos-chave como escuta, presença e disponibilidade.

architecture issue #2

por Camila Carneiro

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O treinamento faz parte do projeto brecha laboratório, projeto de pesquisas residentes criado em 2006 pelo brecha coletivo, que continua a construir sua estrutura sobre os princípios da investigação autônoma, da experimentação balizada e do intercâmbio. Principal ferramenta rizomática do coletivo, a iniciativa sintetiza a crença de “estado de pesquisa”, funcionando como palataforma de aproximação e troca entre criadores de disciplinas diversas.

bamboo training

contato@brecha.com.br

cor-ações.

13 ago
Cor-ações

Cor-ações

Cor-ações é uma instalação foto-coreográfica que tem como leitmotiv o jogo de contrastes criado estre os aspectos grotesco e sublime da natureza da carne. Afeto e carnalidade se sobrepõem a textos de Paul Valery, Clarice Lispector, Patrick Sampaio, entre outros autores, compondo a paisagem poética em que os performers interagem em um vertiginoso action painting.

love fighting

O trabalho fotográfico do artista Otávio Avancini evoca a realidade pungente das exposições de carne em feiras populares, capturando a graça oculta de suas formas em surpreendentes harmonias cromáticas. Duas fotos ampliadas de aproximadamente 2x3m e uma tela em branco entre elas criam a arena em que interagem fotografia, artes plásticas e movimento, convidando o público a espreitar graça e beleza em formas esdrúxulas e relações espaciais inesperadas. A partir de princípios técnicos como o viewpoints, os corpos  improvisam balizados por um eixo de ações que culmina na chamada pintura de ação. O movimento perpassa a tinta e transborda sua efemeridade em registro pictórico na tela em branco. Os tons vermelhos sobre os corpos e figurinos – composto por faixas de gaze – expandem e multiplicam as dimensões de carnalidade evocadas, trazendo à cena uma rica profusão de associações imagéticas potenciais.

comic-them

ficha técnica

performers: Andrea Maciel Garcia e Patrick Sampaio.

instalação: Otávio Avancini.

supervisão coreográfica e trilha sonora: Daniela Visco.

música original: Patrick Sampaio e Rafael Rocha.

figurino: Julia Diehl.

fotos registro: Carol Chediak.

concepção: Andrea Maciel Garcia e Otávio Avancini.

realização: Andre Maciel Garcia, Otávio Avancini e Brecha Coletivo.

*imagens da apresentação no Sesc São João de Meriti.

my hero.

os inocentes

3 ago

Capa do Projeto

apresentação

Inspirados no romance “The Dreamers”, de Gilbert Adair, o Brecha Coletivo e seus convidados partem rumo à criação do espetáculo “Os Inocentes”, com direção de César Augusto, texto de Rodrigo Nogueira e supervisão de Fernando Eiras. O projeto, contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, tem como ponto de partida o livro que inspirou, em 2003, Bernardo Bertolucci a filmar “Os Sonhadores”, filme indicado ao Goya de melhor filme europeu.

sinopse

Sozinhos em Paris enquanto os pais estão em férias, Isabelle e seu irmão gêmeo – Theo – conhecem Matthew, um jovem estudante americano com quem compartilham uma enorme paixão por cinema, e a quem convidam para hospedar-se em seu apartamento. Estamos em maio do ano de 1968, e lá fora as ruas de Paris entram em ebulição. As manifestações pacíficas nascidas entre os estudantes e assíduos da Cinémathèque Française transmutam-se em violentos embates com a polícia, carros incendiados e coquetéis molotov. Isolados e alheios ao caos além paredes, os três criam suas próprias regras, vivem experiências com suas emoções e sexualidade, e se arriscam em jogos psicológicos cada vez mais perigosos.

ficha técnica

direção: césar augusto.

supervisão: fernando eiras.

dramaturgia: rodrigo nogueira.

elenco: lisa fávero, michel blois, patrick sampaio

cenários e figurinos: domingos alcântara.

iluminação: tomás ribas.

trilha sonora: lucas marcier.

preparação corporal: mariana bernardes baltar.

audiovisual: mariana kaufman.

tradução para pesquisa: luiza sposito vilela

direção de produção: patrick sampaio.

apoio: reciclagem cantão

promoção: clear channel

realização: brecha coletivo.

previsão de estréia: 2 de julho de 2010, no Espaço Sesc, em Copacabana.

idol us

3 ago
idol us - fávero.

idol us - fávero.

Quem você celebrizaria?” É a partir desta pergunta que nasce o projeto de estamparia “Idol Us”, do Brecha Coletivo, um questionamento ativo e bem humorado sobre o processo de produção dinâmica de ídolos e do quanto estes realmente correspondem e refletem a minha ou a sua identidade.

Praticamente, o projeto consiste em interferir nesta cadeia de produção através da criação de estampas que tenham como base fotografias de quem de fato representa de alguma forma quem “veste a camisa”, seja a nova celebridade um artista alternativo, um mendigo inspirado, ou seu porteiro. Em suma, o desejo é difundir alguém qualificado conscientemente por quem o consome.

Tendo como principais referências os artistas Jim Fitzpatrick (autor da famosa imagem monocromática de Che Guevara) e Andy Warhol (referência na criação de pinturas com base em fotos de rostos de celebridades, como Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor) o projeto pesquisa uma estética que alcance unidade apesar dos vários rostos retratados, e tem na fácil aplicação da técnica de stencil uma de suas possíveis formas de reprodução.

O conceito trabalhado nas estampas se conclui ao se desdobrar em plataforma virtual, fazendo do sítio do coletivo e de seus parceiros um suporte em que é possível ler a bio da “celebridade” retratada.

Como teaser do projeto, que pretende se abrir à intervenção de quem com ele entre em contato, o coletivo pretende estampar os integrantes de seu grupo de criação, artistas colaboradores, e anônimos célebres, um total de 30 pessoas em tiragem total de camisas ainda não definida. As formas de interação do público para a democratização do processo de celebrização encontram-se em estudo.

a conferência dos pássaros

3 ago

por Raul Aragao

por Raul Aragao

Fotos e video-teaser de a “A Conferência dos Pássaros”. Na performance, atores e músicos materializam um fragmento da obra “A Linguagem dos Pássaros”, de Farid Ud-din Attar, uma conferência em que os pássaros do mundo debatem o caos que os cerca, e na qual decidem partir em busca de um rei para guiá-los.

Em torno de uma mandala circular de Cajóns(instrumentos percussivos afro-peruanos), o que há é o desenvolvimento de uma invocação musical, que conta ainda com a presença de apitos artesanais, acordeon, flauta transversa, conduítes, entre outras sonoridades que, uma a uma, constróem e preenchem a malha sonora que sintetiza o idioma dos pássaros.

por André Mantelli

por André Mantelli

Performadores: Lan Lan, Julia Neves, Leonardo Miranda, Luana Carvalho, Luli Carvalho, Marcelo Lima, Mariana Bernardes Baltar, Patrick Sampaio, Pedro Coqueiro, e Pierre Baitelli. Luthier de Cajóns: Alejandro Gonzalez (AG Percusión). Audiovisual: Mariana Kaufman. Direção musical: Lan Lan. Assistência de produção: Lisa Fávero e Pedro Coqueiro. Direção de produção e Assistência de direção: Patrick Sampaio. Concepção e Direção geral: Daniela Visco. Realização: Daniela Visco e Brecha Coletivo.

por Raul Aragao

por Raul Aragao

Imagens captadas em 28 de março de 2009 em apresentação no Espaço Sesc, Rio de Janeiro, em ato de adesão à “Hora do Planeta / Earth Hour”, da WWF.

por Carol Chediak

por Carol Chediak

A performance não utiliza luz elétrica direta em sua iluminação, realizando-a à base de refletores recarregáveis e lanternas de minerador.

por Mariana Kaufman

sobre o coletivo.

29 abr

Transpropriação da imagem de 'Escultura Subterrânea' de Doris Salcedo, Tate Modern Museum.

Desde Duchamp, os conceitos e significados contidos no termo “obra de arte” foram ampliados de forma significativa. Tinha início uma nova era, um tempo de criação de novos movimentos e de reinvenção das chamadas ações artísticas. Vimos nascer as performances, as intervenções urbanas, os flash mobs, e se esvaírem as fronteiras entre as noções de ‘arte’ e ‘não-arte’. Hoje, por toda parte podemos perceber manifestações desta tendência de hibridização, uma certa pulsão de convergência que, em ritmo crescente, recicla as formas através das quais o mundo se espelha e se comunica.

É neste cenário que nasce o Brecha Coletivo. Em meio à ebulição desta reticência contemporânea e à necessidade de diálogo, troca e provocação. Diálogo de percepções e sensibilidades. Troca de experiências e perspectivas. Provocação de questionamentos, e logo, de humanidades. Sobre os escombros que caracterizam o atual estado dos pilares e cânones artísticos, a proposta é a de um lugar híbrido, de partilha de incertezas e “desfronteiras” entre as artes e entre as pessoas.  Não limitando seus campos de atuação ou seu corpo, a idéia é a de um coletivo aberto, um organismo rizomático que figure como plataforma de aproximações. O grupo reúne hoje criadores de diversas disciplinas – tais como cinema, teatro, performance, música, moda e design -, e mantém-se  aberto a novos atravessamentos através de seu laboratório de pesquisa e de um conceito comum: a busca de brechas.

Alguns projetos_ o espetáculo teatral “Os Inocentes” (projeto contemplado em 2008 pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz); o projeto “Flashmobing – Interferências Urbanas”; o filme “Seis Movimentos Para Dizer Adeus”, de Paulo F. Camacho; a performance “A Conferência dos Pássaros”, com Daniela Visco e Lan Lan (Espaço SESC, em 2009, e riocenacontemporanea em 2006); a performance “Poesia Violada”, de Rodrigo Saboya, nas ruas do Rio de Janeiro, dentro da campanha cultural urbana da grife Cantão, em 2008; a performance instalação foto-coreográfica de Andréa Maciel Garcia “Cor-Ações” (apresentada no Sesc São João de Meriti, em 2007); o projeto de estamparia “Idol Us”, ainda inédito, em que pesquisa a celebrização do homem comum; e o Brecha Laboratório, projeto de pesquisas residentes que inclui as atividades Treinamento (em que desde 2008 o grupo investiga a ampliação dos viewpoints desenvolvolvidos por Anne Bogart) e Confraria (núcleo de investigação teórica que atualmente trabalha sobre as possíveis influências da chamada filosofia da diferença no fazer artístico coletivo).

Na barra lateral desta página você encontrará links para navegação pelo blog, além de mais informações sobre nossos projetos, textos presentes nas pesquisas, videos, imagens diversas, os artistas em atividade no coletivo, colaboradores e parceiros da iniciativa.

Brecha Coletivo.

contato@brecha.com.br

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